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	<title>Céus &#038; Terra &#187; comida</title>
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	<description>um fórum cristão sobre fé e ecologia</description>
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		<title>Poder do consumidor pode frear mudanças climáticas e garantir sustentabilidade</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Sep 2008 14:12:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ginia Bontempo</dc:creator>
				<category><![CDATA[ação]]></category>
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		<description><![CDATA[Pesquisas desenvolvidas no Brasil e na Inglaterra indicam que o consumidor tem papel fundamental na sustentabilidade e seu comportamento tende a influenciar as políticas públicas locais. A idéia de que apenas as grandes empresas são responsáveis pelo aquecimento global ainda persiste no mundo inteiro, mas, em paralelo, cresce a consciência de que o poder do consumidor consciente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pesquisas desenvolvidas no Brasil e na Inglaterra indicam que o consumidor tem papel fundamental na sustentabilidade e seu comportamento tende a influenciar as políticas públicas locais.</p>
<p>A idéia de que apenas as grandes empresas são responsáveis pelo aquecimento global ainda persiste no mundo inteiro, mas, em paralelo, cresce a consciência de que o poder do consumidor consciente é decisivo para garantir a sustentabilidade.Na Inglaterra, uma pesquisa encomendada pela Confederação das Indústrias Britânicas (CBI, sigla em inglês) à empresa de consultoria McKinsey, revelou que 60% das emissões são controladas ou influenciadas pelos consumidores. O novo dado obrigou as entidades locais a repensar e reformular as políticas traçadas para atingir a meta do governo britânico de 60% de redução, em relação aos níveis de 1990, das emissões de gases de efeito estufa até 2050. </p>
<p>“O dado mudou substancialmente a perspectiva de ações que o país vinha seguindo. O foco principal agora é o consumidor. É sobre ele que o setor privado e o governo precisam trabalhar para garantir a sustentabilidade”, afirmou Martin Broughton, presidente da CBI, que no dia 2 de setembro, presidiu o lançamento no Brasil do relatório “Mudanças climáticas: um assunto de todos”.</p>
<p>Broughton afirmou que, na Inglaterra, cresce o número de indústrias sustentáveis, além de outras que demonstram interesse em se tornar ambientalmente corretas. Ainda assim, insistiu que ainda é grande o número das que ainda estão longe dessa realidade. “Percebemos que pela demanda, ou seja, se o consumidor escolher empresas ambientalmente responsáveis para comprar, a humanidade estará garantindo uma economia de carbono limpo”, garantiu.<span id="more-170"></span></p>
<p>A CBI reúne algumas das maiores empresas britânicas, entre elas, a BP, a Shell e a British Airways. Juntas elas emitem cerca de 370 milhões de toneladas de CO2 por ano e empregam quase 2 milhões de pessoas ao redor do mundo, gerando uma receita anual equivalente a três trilhões de reais. “Os números da CBI já são consideráveis para pensarmos em resultados expressivos, mas queremos ir mais longe, conscientizando mais pessoas”, afirmou Broughton. </p>
<p>Segundo o relatório, 35% das emissões são controladas diretamente pelo consumidor, seja no aquecimento das casas, no uso de automóveis particulares e outros meios de transporte e no consumo de energia elétrica em domicílios. O varejo, alimentação e bebidas, atacado e a agricultura representam 25% das emissões. Os restantes 40% dos gases são emitidos na  fabricação de bens, mineração de carvão e transporte de carga.</p>
<p><strong>Brasil</strong></p>
<p>O relatório britânico não revela números da conscientização dos consumidores ingleses, mas no Brasil, um número considerável de pessoas tem em um nível elevado de consciência dos impactos na hora de fazer suas escolhas de consumo. A pesquisa “Como e por que os brasileiros praticam o consumo consciente?”, divulgada pelo Akatu em março de 2007, revela que um em cada três brasileiros percebe os impactos coletivos ou de longo prazo nas decisões de consumo. Segundo o estudo, cresceu em 7 pontos percentuais – de 36% em 2005 para 43% em 2006 – a proporção de consumidores que usam seu poder de compra e de comunicação para premiar empresas que tenham práticas adequadas de responsabilidade social e ambiental.</p>
<p>Para José Augusto Coelho Fernandes, diretor executivo da Confederação Nacional das Indústrias, apesar de realidades diferentes (no Brasil, 45% da energia é renovável e na União Européia, apenas 20%) através do relatório “é possível verificar a existência de pontos de ação em comum, como a internalização de medidas de sustentabilidade no DNA do ciclo produtivo das empresas e a educação da comunidade”.</p>
<p><strong>Políticas Públicas no Brasil</strong></p>
<p>É com base no reconhecimento do papel determinante do consumidor na preservação do planeta que uma parceria entre organizações brasileiras que trabalham em defesa da sustentabilidade realiza até 20 de setembro, uma consulta à sociedade civil com o objetivo de angariar contribuições para a formulação de uma Política Nacional de Mudanças Climáticas a ser apresentada ao Congresso Nacional em novembro próximo. Segundo o ambientalista Fábio Feldmann, membro do Conselho Consultivo do Instituto Akatu e um dos integrantes da parceria, “não se trata de um projeto de lei, já que existe um processo em curso no Congresso Nacional, mas da construção de um documento que possa contribuir para este processo, com inovações e sugestões provenientes da sociedade civil organizada”.</p>
<p>Para Feldmann, um dos grandes diferenciais da iniciativa é a sua forte aposta em medidas de adaptação, ou seja, o projeto pretende exigir do governo respostas concretas e permanentes, em forma de lei, para os brasileiros que já estão sofrendo efeitos diretos das mudanças climáticas. “Precisamos criar um mecanismo legal para cobrar do governo a eficiência nas áreas de defesa civil, por exemplo, ou a assistência de reparação de prejuízos econômicos e sociais decorrentes das mudanças climáticas”, afirmou.</p>
<p>Idéias e sugestões podem ser enviadas por meio do Observatório do Clima (www.oc.org.br).</p>
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		<title>A falência de um modelo</title>
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		<pubDate>Thu, 08 May 2008 19:40:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ginia Bontempo</dc:creator>
				<category><![CDATA[comida]]></category>
		<category><![CDATA[desastres]]></category>

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		<description><![CDATA[Abril 25, 2008 Há 33 países hoje à beira da instabilidade social devido à falta e ao preço dos alimentos, resultado direto do atual modelo industrial de agricultura dependente do petróleo. Por Miguel A. Altieri (*). A agricultura mundial está numa encruzilhada. A economia global impõe demandas conflitantes sobre os 1,5 bilhão de hectares cultivados. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Abril 25, 2008</p>
<p>Há 33 países hoje à beira da instabilidade social devido à falta e ao preço dos alimentos, resultado direto do atual modelo industrial de agricultura dependente do petróleo. Por Miguel A. Altieri (*).</p>
<p>A agricultura mundial está numa encruzilhada. A economia global impõe demandas conflitantes sobre os 1,5 bilhão de hectares cultivados. Não só se pede à terra agrícola que produza alimento suficiente para uma população crescente, mas também que produza biocombustíveis, e que faça isso de um modo que seja saudável para o meio ambiente, preservando a biodiversidade e diminuindo a emissão de gases de efeito estufa, e que, ainda, seja uma atividade economicamente viável para os agricultores.<span id="more-139"></span></p>
<p>Essas pressões estão desencadeando uma crise sem precedentes no sistema alimentar global, que já começa a se manifestar em protestos por escassez de alimentos em muitos países da Ásia e da África. De fato, há 33 países à beira da instabilidade social devido à falta e ao preço dos alimentos. Essa crise que ameaça a segurança alimentar de milhões de pessoas é o resultado direto do modelo industrial de agricultura, que não só é perigosamente dependente de hidrocarburos, mas tem, ainda, se tornado a maior força antrópica modificadora da biosfera. As crescentes pressões sobre a área agrícola —que está se reduzindo— estão minando a capacidade da natureza de suprir as demandas da humanidade quanto a alimentos, fibras e energia. A tragédia é que a população humana depende dos serviços ecológicos (ciclos de água, polinizadores, solos férteis, clima local benevolente, etc.) que a agricultura intensiva continuamente empurra para além de seus limites.</p>
<p>Antes do fim da primeira década do século XXI, a humanidade está tomando consciência rapidamente de que o modelo industrial capitalista de agricultura dependente de petróleo não mais funciona para suprir os alimentos necessários. Os preços inflacionários do petróleo inevitavelmente aumentam os custos de produção e os preços dos alimentos subiram a tal ponto que hoje um dólar compra 30% menos alimento do que há um ano. Uma pessoa na Nigéria gasta 73% da sua renda em alimento, no Vietnã 65% e na Indonésia 50%. Essa situação está piorando rapidamente, na medida em que a terra agrícola vai sendo destinada para biocombustíveis e na medida em que a mudança climática afeta o rendimento da terra pelas estiagens ou inundações.</p>
<p>Expandir terras agrícolas destinadas a biocombustíveis ou cultivos transgênicos, que já tomam 120 milhões de hectares, vai exacerbar os impactos ecológicos de monocultivos que continuamente degradam os serviços da natureza. Além disso, a agricultura industrial hoje contribui com mais de 1/3 das emissões globais de gases de efeito estufa, especialmente metano e óxidos nitrosos. Continuar com esse sistema degradante, como promove um sistema econômico neoliberal, ecologicamente desonesto por não refletir as externalidades ambientais não é uma opção viável.</p>
<p>O desafio imediato de nossa geração é transformar a agricultura industrial e iniciar uma transição dos sistemas alimentares para que não dependam de petróleo.</p>
<p>Precisamos de um paradigma alternativo de desenvolvimento agrícola, que propicie formas de agricultura ecológica, sustentável e socialmente justa. Redesenhar o sistema alimentar para formas mais eqüitativas e viáveis para agricultores e consumidores vai requerer mudanças radicais nas forças políticas e econômicas que determinam o que vai ser produzido, como, onde e para quem. O livre comércio sem controle social é o principal mecanismo que está expulsando os agricultores de suas terras e é o principal obstáculo para alcançar desenvolvimento e uma segurança alimentar local. Só desafiando o controle que as empresas multinacionais exercem sobre o sistema alimentar e o modelo agroexportador patrocinado pelos governos neoliberais será possível deter a espiral de pobreza, fome, migração rural e degradação ambiental.</p>
<p>O conceito de soberania alimentar, tal como é promovido pelo movimento mundial de pequenos agricultores, a Via Campesina, constitui a única alternativa viável para o sistema alimentar em colapso, que simplesmente falhou em seu cálculo de que o livre comércio internacional seria a chave para solucionar o problema alimentar mundial. Pelo contrário, a soberania alimentar enfatiza circuitos locais de produção-consumo e ações organizadas para obter acesso à terra, água, agrobiodiversidade, etc., recursos fundamentais que as comunidades rurais devem controlar para conseguir produzir alimentos com métodos agroecológicos.</p>
<p>Não há duvida que uma aliança entre agricultores e consumidores é de importância estratégica. Ao mesmo tempo que os consumidores devem descer na cadeia alimentar ao consumir menos proteína animal, precisam tomar consciência de que sua qualidade de vida está intimamente associada ao tipo de agricultura que é praticada nos cordões verdes que circundam povoados e cidades, não só pelo tipo e qualidade de cultivos que aí são produzidos, mas pelos serviços ambientais, como qualidade da água, microclima e conservação da biodiversidade, etc., que esta agricultura multifuncional proporciona.</p>
<p>Mas a multifuncionalidade só emerge quando as paisagens estão dominadas por centenas de sítios pequenos e biodiversos, que, como os estudiosos demonstram, podem produzir entre duas e dez vezes mais por unidade de área do que as fazendas de grande escala. Nos Estados Unidos os agricultores sustentáveis, em sua maioria pequenos e médios agricultores, geram uma produção total maior que os monocultivos extensivos, e fazem isso reduzindo a erosão e conservando melhor a biodiversidade. As comunidades rodeadas por pequenos sítios apresentam menos problemas sociais (alcoolismo, drogadição, violência familiar, etc.) e economias mais saudáveis que comunidades rodeadas por fazendas grandes e mecanizadas.</p>
<p>No estado de São Paulo, no Brasil, cidades rodeadas por grandes extensões de cana-de-açúcar são mais quentes do que cidades rodeadas por propriedades médias e diversificadas. Deveria ser óbvio, então, para os consumidores urbanos, que comer constitui ao mesmo tempo um ato ecológico e político, pois ao comprar alimentos em mercados locais ou feiras de agricultores, há um retorno a um modelo de agricultura adequada para a era pós-petroleira, enquanto ao comprar nas grandes redes de supermercados, perpetua-se o modelo agrícola não sustentável.</p>
<p>A escala e urgência do desafio que a humanidade enfrenta é sem precedentes e o que é preciso fazer é ambiental, social e politicamente possível. Erradicar a pobreza e a fome mundial requer um investimento anual de aproximadamente 50 bilhões de dólares, uma fração se comparado com o orçamento militar mundial, que chega a mais de um trilhão de dólares por ano. A velocidade com que essa mudança deve ser implementada é muito rápida, mas o que está em questão é se existe realmente vontade política de transformar radical e velozmente o sistema alimentar, antes que a fome e a insegurança alimentar alcancem proporções planetárias irreversíveis.</p>
<p>(*) Miguel A. Altieri é professor na Universidade da Califórnia (Berkeley) e membro da Sociedade Científica Latino-americana de Agroecologia (Socla). Tradução de Naila Freitas / Verso Tradutores. Publicado na Carta Maior. Reprodução autorizada, citando-se a fonte. (Carta Maior/EcoAgência)</p>
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