Mordomia ambiental
de Marina Silva e Jane Vilas Bôas
“também a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha” Lv 25:23
“minhas são todas as feras do campo. Se tivesse fome não to diria, pois meu é o mundo e a sua plenitude.” Sl 50:11-12
não destruirás o seu arvoredo (…); porque dele comerás, pelo que não cortarás para que sirva de tranqueira para si. Dt 20:19
No Éden nascia um rio que irrigava o jardim, e depois se divida em quatro. Gn 1:10
Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego da vida, e o homem se tornou um ser vivente. Gn 2:7.
Nos versículos acima temos terra, água, ar, plantas, animais e o ser humano. Todos componentes da criação cujo domínio Deus entregou ao último. Deus regula o uso desses bens, deixa claro que os atos de criação resultam em coisas que pertencem ao próprio Deus. Seres criados e reponsabilizados por lavrar e cuidar do jardim (Gn 2:15), temos direito de satisfazer necessidades e devemos fazê-lo respeitando as necessidades das próximas gerações. Não podemos usar os recursos naturais até o esgotamento, pois não só o mundo, mas também a sua plenitude são propriedade de nosso Criador.
No Brasil a esperança do Criador em nós se manifesta na forma de muitas riquezas. Somos detentores de cerca de 11% da água doce disponível no mundo e 22% das espécies vivas da terra. Somos ricos também em diversidade social. Temos povos indígenas que falam mais de 220 línguas e comunidades tradicionais como Seringueiros, Faxinalenses, Pescadores, Caiçaras, Pantaneiros, etc.
Temos o Cerrado, abrigo de 5% da biodiversidade da terra e uma das maiores áreas de captação de água para a América do Sul: abastece as bacias dos rios Amazonas, Tocantins, Paranaíba, São Francisco, Paraná e Paraguai, além do Aqüífero Guarani, maior manancial subterrâneo de água doce transfronteiriço do mundo.Temos o Pantanal, declarado patrimônio da humanidade pela UNESCO. Maior área úmida continental do globo. Ainda podemos citar a Mata Atlântica. Sua riqueza biológica a faz destaque mundial. É patrimônio nacional pela nossa Constituição. Para encerrar esta pequena listagem, citamos a Amazônia, importante para o equilíbrio do planeta. Ali estão fixadas mais de uma centena de trilhões de toneladas de carbono. Sua vegetação libera sete trilhões de toneladas de água para a atmosfera a cada ano, responsáveis inclusive pelas chuvas no Sudeste. O bioma abriga um terço da biodiversidade global e 30% das florestas tropicais que ainda existem no mundo.
Diante dessas magnitudes, o que podem fazer os cristãos individualmente ou em suas Igrejas?
Primeiramente, reconhecer o mandato cultural do Senhor para cuidarmos da criação. Somos mordomos. Fomos parceiros de Deus, pois Adão foi chamado para nominar todas as coisas criadas (Gn 2:19).
Para bem exercer a mordomia é preciso conhecer o ambiente em que vivemos e desenvolver atitudes que evitem o desperdício ou a saturação por resíduos de nossos consumos.
Essas atitudes podem ser materializadas com o cuidado de não desperdiçar água e energia elétrica. Com a escolha de consumir produtos industriais que não poluam as águas, o solo ou o ar e nem tenham sido produzidos por trabalho escravo ou em condições indignas ou ilegais.
Além das atitudes no plano pessoal, há também o plano coletivo e a dinâmica das instituições que tratam do tema meio ambiente, que também devem ser objeto de procupação e atuação de todos como cidadãos.
Enfim, há dezenas de formas em que se pode expressar amor ao Senhor e gratidão pela criação. Tudo é uma questão de consciência da mordomia.
Sobre as as autoras:
- Marina Silva – professora secundária de história, senadora eleita pelo Estado do Acre, atualmente servindo ao país como Minsitra de Estado de Meio Ambiente. Membro da Igreja Assembléia de Deus.
- Jane Vilas Bôas – antropóloga, assessora da Ministra do Meio Ambiente. Membro da Igreja Batista Central de Brasília.

