Cempre completa 15 anos
nº 96 - Ano XV - novembro / dezembro 2007
Cempre informa
Há exatos quinze anos, nascia o Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre) a partir da iniciativa de empresas interessadas em discutir soluções para a questão do lixo urbano e a destinação de resíduos pósconsumo. Surgia, assim, um amplo esforço no sentido de conciliar o desenvolvimento socioeconômico e a preservação dos recursos naturais do planeta.
Desde então, a associação promove a reciclagem como ferramenta de proteção ao meio ambiente e inclusão social, difunde a educação ambiental com foco nos 3 Rs (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) e dissemina o gerenciamento integrado dos resíduos sólidos urbanos.
Por se tratar de um tema complexo e multifacetado, o Cempre busca envolver em suas ações o poder público, a iniciativa privada, a comunidade científica, a imprensa e a sociedade de maneira geral.
Começamos com apenas sete empresas e hoje temos 23 associados que ocupam posição de destaque em seus segmentos,
destaca Tadeu Boechat, presidente do Cempre.
Esse modelo de gestão integral sustentável já se tornou referência no Brasil, atravessou fronteiras e chegou a países como Argentina. China, México, Porto Rico, Rússia, Tailândia, Uruguai e Venezuela.
Durante a programação do seminário Recicle Cempre, realizado de 24 a 26 de outubro, em São Paulo (SP), os participantes puderam comemorar os quinze anos desse compromisso, transformado hoje em iniciativas concretas nas mais diversas frentes.
O mais recente panorama setorial da reciclagem no país
O Cempre Informa acaba de realizar, pelo quarto ano consecutivo, uma detalhada pesquisa junto a organizações que acompanham a reciclagem de vidro, alumínio, embalagens longa vida, pneu, aço, plásticos, PET e papel. Mais uma vez, a consolidação desses dados dispersos tem como meta traçar microcenários setoriais que revelem os caminhos da reciclagem no Brasil.
Acompanhe, nesta edição, o desempenho de cinco materiais no ano de 2006. Os dados referentes a plásticos, PET e papel ainda estão sendo processados e serão publicados no próximo número do Cempre Informa.
Os índices de reciclagem de embalagens longa vida e de aço cresceram, os de vidro mantiveram-se no mesmo patamar e os de alumínio, pneu e embalagens de aço para bebidas tiveram uma ligeira queda. De maneira geral, o ano passado foi marcado por diversas conquistas na área da reciclagem.
De acordo com a Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro), em 2006, tiveram continuidade as iniciativas para alavancar a reciclagem do vidro. Além disso, o estímulo à reciclagem também se transformou em ferramenta de combate à indústria de falsificação e de reuso indevido (empresas ilegais que compram
potes, frascos e garrafas descartáveis para acondicionar produtos não-originais como bebidas, perfumes e remédios).
Longa Vida
O ano de 2006 registrou aumento nos preços das embalagens longa vida pós-consumo que atingiram R$ 330 a tonelada (ou R$ 0,33/kg), uma valorização de 27% em relação a 2005 (R$ 0,26/kg). A reciclagem gerou R$ 83 milhões, com índice de 24,2%. O Brasil continua líder absoluto nas Américas, mantendo-se acima da média mundial (16,6%) e posicionando-se próximo à média européia (30%).
Alumínio
A Associação Brasileira do Alumínio (Abal) e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas) informam que, em 2006, o Brasil reciclou 94,4% do total de latas de alumínio para bebidas comercializadas em território nacional.
Mesmo ligeiramente inferior ao índice registrado em 2005, o volume coletado em 2006 foi 9% maior, pois as vendas de latinhas no período cresceram cerca de 11%. A maior disponibilidade permitiu que outros segmentos (como as indústrias de ferro-ligas) disputassem a sucata de lata. Pelo sexto ano consecutivo, o índice garantiu ao Brasil a liderança na reciclagem de latas de alumínio para bebidas entre países em que a atividade não é obrigatória por lei. Segundo pesquisas da Abal, no ano passado, as principais fontes de coleta de latas de alumínio foram: cooperativas/associações (58%), condomínios/clubes (20%), depósitos (13%), escolas (5%), supermercados (3%) e eventos (1%).
Pneus
De acordo com a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), cresceu sensivelmente, em 2006, o número de pontos de coleta e destinação de pneus inservíveis (ecopontos). No período, também ganharam força as discussões sobre a questão dos pneus inservíveis e o produto adquiriu maior valorização no mercado.
O Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis da Anip estimulou os fabricantes de pneus novos a formar, em março deste ano, uma entidade que arca com os custos de coleta e destinação de pneus no Brasil, a Reciclanip. Seu objetivo é intensificar parcerias com as prefeituras para a criação de novos ecopontos e incentivar a participação da iniciativa privada (sobretudo da rede de revendedores e reformadores), do poder público e da sociedade como um todo na coleta e destinação de pneus.
Aço
O aço pode ser reciclado infinitas vezes sem que haja perda de suas principais características como dureza, resistência e versatilidade. Segundo estatísticas do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), a reciclagem alcançou no ano passado 8,7 milhões de toneladas, o equivalente a 28,15% da produção total de aço bruto.Tal percentual considera toda a sucata gerada no próprio processo produtivo e as aquisições de mercado interno de sucata (vale ressaltar que o consumo per capita de aço no Brasil, de 100 kg/hab/ano, se mantém igual há mais de 20 anos).
O Sindicato do Comércio Atacadista de Sucata Ferrosa e Não Ferrosa do Estado de São Paulo-SP (Sindinesfa) informa que o ferro-velho equivale a 25% dos materiais que vão aos fornos das siderúrgicas nacionais. Em 2005 e 2006, foram produzidas 6,960 milhões de toneladas de ferro beneficiado. Esta atividade de coleta, seleção, processamento e distribuição de sucata ferrosa envolve cerca de 1,725 milhão de pessoas. O setor reúne aproximadamente 2.500 empresas (a maioria de pequeno e médio portes) e as áreas de maior produção são: São Paulo (48,8%), Rio de Janeiro e Minas Gerais (ambos com 12,8%).
Quando o assunto é a reciclagem de latas de aço para bebidas, dados da Metalic/Reciclaço apontam que o índice alcançado em 2006 foi de 85%. No comparativo com 2005, mesmo com o aumento de 5% na quantidade coletada, o índice caiu 3 pontos percentuais devido à elevação de aproximadamente 9% nas vendas de latas de aço para bebidas. Conclusão: o mercado consumiu mais do que a capacidade de coleta dos catadores.
Catadores receberão R$ 23 milhões do BNDES
Em outubro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) contratou as 24 primeiras operações de apoio financeiro destinadas às cooperativas de catadores de materiais recicláveis. Os recursos, no valor de R$ 16,4 milhões, provenientes do Fundo Social do banco serão destinados a reformas de infra-estrutura física, assistência técnica e capacitação de cooperados.
Os projetos contratados fazem parte das 34 operações já aprovadas pelo BNDES no valor de R$ 23 milhões. Além de contribuir com as políticas públicas de inclusão social e econômica, essa linha de apoio tem forte impacto sobre o meio ambiente. Em entrevista ao Cempre Informa, Teresa Cosentino, especialista do Departamento de Operações Sociais do BNDES, fala sobre esse processo.
A abertura de crédito às cooperativas foi um fato inédito no BNDES?
Desde sua criação, em 1997, a Área de Inclusão Social do BNDES trabalha com clientes não-tradicionais como ONGs. Esse conhecimento acumulado facilitou bastante o processo. Em todas as operações, uma equipe de no mínimo duas pessoas realiza a visita de análise e, posteriormente, a de acompanhamento. Nesse programa, todos os projetos foram visitados e os 35 técnicos envolvidos puderam avaliar as demandas de cada cooperativa e adequá-las para aumentar a chance de sucesso do empreendimento.
Quantos projetos foram enviados ao BNDES?
Recebemos 127 cartas-consulta, das quais 67 foram julgadas elegíveis para fins de enquadramento. Foram, então, enquadrados 44 projetos e, por fim, 34 receberam aprovação. Deles, 24 já estão em fase de contratação.
Qual é a distribuição geográfica desses projetos?
São 15 em São Paulo, 5 na Bahia, 4 em Minas Gerais, 2 no Distrito Federal, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e 1 em Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná e Sergipe.
Há estimativa de quantos cooperados serão beneficiados?
Hoje, essas cooperativas têm 2.200 cooperados. Após a implantação do projeto, a estimativa é que mais de 4.500 cooperados sejam beneficiados.
Com a linha de apoio, há previsão de aumento de renda mensal dos catadores?
Sim. A renda média atual é de R$ 376 e, com os projetos, ela poderá a chegar a R$ 545.
Haverá lançamento de um novo edital?
Essa linha foi lançada há um ano e revelou uma grande demanda. Agora, estamos trabalhando para tornar pública uma nova chamada ainda neste ano.
Atenção, cooperativas, o BNDES lançou novo edital!
O prazo final para entrega do ROBI (Roteiro Básico de Informações) é 1º de fevereiro de 2008.
Mais informações: www.bndes.gov.br
P = prensado L = limpo I = inteiro Un = unidade *preço da tonelada em real
Estes preços de venda dos recicláveis são praticados por programas de coleta seletiva, sendo a informação de sua inteira responsabilidade.
Atenção programas de coleta seletiva e cooperativas:
Para providenciarmos a publicação dos preços recicláveis, solicitamos o envio de cotações até o dia 15 de cada mês ímpar do ano (janeiro, março, maio, julho, setembro, novembro)
COMPROMISSO EMPRESARIAL PARA RECICLAGEM
O Cempre Informa é uma publicação bimestral do Cempre, instituição sem fins lucrativos que visa promover a reciclagem, dentro do conceito de gerenciamento integrado de resíduos s?%B

