O apocalipse dos bichos
Parte de um artigo de Caio Fábio (setembro, 2006) disponível no site www.caiofabio.com.br
[...] O Salmo 104 nos diz que as estações e todas as manifestações naturais são Pentecostes. É Deus quem envia seu Espírito Santo, e renova toda a face da Terra. A preocupação em afirmar a espiritualidade de todas as coisas criadas é tão grande, que o Apocalipse fala dos anjos das fontes das águas, e mostra anjos com os pés entre a terra e o mar, sobre o sol, ou tendo a lua sob os pés, ou arrastando constelações. Todos os juízos divinos na Bíblia não deixam de incluir a caotização da criação em razão da estupidez auto-destrutiva dos humanos. No fim, os poderes da matéria serão abalados: das imensas massas estelares aos minúsculos entes sub-atômicos, tudo se abalará. A natureza e o homem compartilham o mesmo destino. O Cristo ressuscitado ingeriu criação em Seu estado de glorificação: vinho e tilápias atravessaram paredes, e foram com Ele para cima de todo principado e poder. “Ele comeu e bebeu com eles depois que ressuscitou dentre os mortos…”
Agora, duas perguntas: Os anjos serão julgados por homens? Paulo diz que sim, em I Coríntios. E os homens? Serão julgados por quem? Ora, a prevalecer o critério usado no julgamento dos anjos, no qual nós, os estúpidos humanos, faremos o juízo deles, pessoalmente, eu creio que se é assim, quem nos julgará será a criação. Na Bíblia mulas, galos, e até pedras trazem recados para homens entupidos de arrogância. Seria a suprema ironia: os bichos julgando os homens! Nada poderia ser um juízo mais final para a nossa presunção.

